Por que escrevo? Pela mesma razão porque falo, para me comunicar, me expressar, muitas vezes para colocar os pensamentos em ordem. Em medida diferente de quando leio, mas indo pelo mesmo caminho, para aprender também, para definir ou ter novas visões de mundo.
Sempre li por curiosidade ou pelo prazer de outras vivências. Literatura é isso, vivências alheias feitas suas durante o ato de ler. Fazer literatura é isso, sob certo aspecto, dar aos outros a chance de vivenciar o que de alguma forma é seu. Uma história, uma ocasião, um pensamento, desde que formulados e colocados sobre a forma de linguagem. Acho que estou sendo redundante, não existe forma de se passar uma história para frente sem que haja linguagem.
Ver o mundo e criar uma história, uma situação, formular um pensamento é comunicação. Alguns vendem essas comunicações, não estão errados. Digo, algo seu pode ser vendido, dado, distribuído. E por que simplesmente dar algo que é puramente seu? Claro que tudo isso não se construiu do nada. Todas as leituras, todas as frases trocadas nos ônibus corredores ou bar estão aí. A intertextualidade que tanto comentam por aí é o elemento vida. Algum sábio disse há muito que o homem nasce uma tabula rasa e se constitui dia após dia. Tal constituição só se dá por cada vivência que não é alheia ao mundo. E isso se reflete no que se escreve e se constitui ao se ler também.
Ok, ok. Sei que digo obviedades. Não estou tentando ser original, estou tentando colocar meus pensamentos em ordem. Olhe, sinceramente, não tenho um pensamento formado sobre o que é literatura, ou filosofia, ou artes, ou o escambau. Só que dá pra colocar tudo em balanças e tentar criar critérios que os justifiquem. Não é essa minha intenção, ela é só escrever sobre porque escrevo e acho que já justifiquei isso ali atrás.
Isso continua vago, não? Então, vamos voltar pro caminho principal. Escrevo porque quero dizer algo. Bom ou ruim? Pouco importa. As pessoas que leem é que ligam para isso, ou as que querem vender. Mas, isto não é problema meu. Dizer algo é minha prioridade. Algo que me aflige, algo que me alegra, fugir de um senso comum, entrar de cabeça em um senso comum. Você até agora não se deu conta de que tudo aqui é um senso comum?
Não, amigo, não tenho vontade de iluminar a humanidade. No máximo falar “eu vejo as coisas assim”, pouco importando se vou ser rotulado como fascista, judeu, esquerdista, satânista, lulista ou o cara que comeu sua mãe. Opa! Me desculpem, tenho síndrome de La Tourette, não controlo certos comportamentos.
Voltando novamente ao assunto, escrever é igual coçar o saco, é uma necessidade iminente. Antes que eu pense minha mão já está lá, fazendo o que tem que ser feito, independente da vontade alheia ou da moral do local. Não é pra subverter, é para matar uma vontade que se faz mais forte que um comichão pubiano.
2 comentários:
"Escrever é uma força interior e incontrolável como um espirro"... serve isso? Não tenho saco e muito menos comichão em um
Pode substituir "saco" por "vagina" ou qualquer nome pelo qual a chame. Tem coisas na vida que só se sabe se tiver um saco. E outras que só sabe se não se tiver nenhum. =p
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