domingo, 19 de dezembro de 2010

Esperando Raimunda

Coloquei uma cadeira na rua, todo dia fazia o mesmo. Esperava Raimunda passar somente para lhe cumprimentar. Raimunda era a mulher que morava ao fim da rua. Conversei com ela meia dúzia de vezes, nada de interessante saia dali.

Mas, mesmo assim sentava ao mesmo horário para vê-la passar, passava sempre às cinco da tarde. É um ótimo horário para ver pessoas passando. Raimunda saia de casa sempre aquele horário para buscar seu filho no colégio, algo que fazia parte de sua rotina e da minha também, ela passar eu a cumprimentar e olhar para seu maior bem. Como era belo.

Deus! A espera por Raimunda fazia dos meus dias algo bom, ficava às vezes a pensar naquele momento o dia todo. Não podia ficar um dia sem aquilo, era meu crack. Nunca tive vícios que me fizessem mal. Jamais bebi, nunca fumei, não usei drogas e não sou chegado em televisão. A única coisa que fazia era sentar e esperar Raimunda passar.

Seu filho já achava aquilo estranho, seu marido já achava aquilo estranho, minha esposa já achava aquilo estranho. Todos, menos Raimunda, desconfiavam de que acontecia algo, pois não havia nada de interessante em sentar à porta de casa e olhar pessoas passarem, quanto mais no século XXI.

Um dia um vizinho dos mais chegados parou para quinze minutos de prosa àquele horário. Sentados, eu esperando Raimunda passar e ele conversando. A vimos e cumprimentamos, a olhamos e assim que ela virou as costas ele comentou:

“Nunca vi alguém como a Raimunda, tão feia de cara, mas tão boa de bunda.”

Naquele momento eu tinha certeza que ele me compreendia em absolutamente tudo e jamais me julgaria mal por eu sentar ali todas as tardes.

5 comentários:

M.A.S.S. disse...

...e então a turma na calçada foi aumentado pra ver a Raimunda?


E eu na inocência achando que o indivíduo estava apaixonado no sorriso dela u.u'

Lucas Maia disse...

Hahaha. Paixão nacional.

wigvan disse...

O lirismo do Chiyoko me impressiona sempre.

gene disse...

qria deixar um comentario pra rachar com seu ego, mas receio q isso seja impossivel, ja q nao há cupins suficientes nas minhas palavras...

escrita razoavel, mas nao prende o leitor, precisei de umas 3 visitas pra terminar de ler.

continue se esforçando.

Chiyoko Gonçalves disse...

Lirismo, tá aí algo que tenho que saber o que é, Wigvan.

Meu ego é frágil, Glau. Qualquer artefato termonuclear consegue destruí-lo.

Eu gosto bundas femininas, Lucas. Quando são bonitas, claro.

Porra, Angélica! Você já me conhece há uns dez meses e até agora não pegou o padrão?