segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ai! Que susto!

Há algum tempo atrás recebi um link muito divertido (que não vou por aqui) que abria uma página subitamente com a face da Regan (aquela menina feia do filme O Exorcista) e uma série de gritos. Isso implicou automaticamente em dois resultados óbvios: [1] quase caí da cadeira (bem feito para mim, ninguém manda sair clicando em tudo quanto é link que me mandam) e [2] repassar para o maior número de pessoas possíveis (afinal, nenhuma brincadeira de mau gosto tem graça se você não a passar para frente transformando-a numa corrente perpétua).

Ótimo! Recobrado do susto e quase tendo um ataque de riso por ser tão idiota, resolvi botar em prática minha mente doentia e pensar modos legais de assustar pessoas. Comecei a passar massivamente o link (por massivamente entenda todas as pessoas on-line no MSN naquele momento). Alguns resultados foram engraçados (fui amaldiçoado até a nona geração), outros não tiveram a reação esperada (a pessoa riu e falou que ia repassar). Mas, dentre todos, houve um em que me assustou e me deixou pé atrás no primeiro instante, uma das pessoas para quem mandei o link possui uma fobia irracional pela Regan.

Mandei-lhe o link e em seguida ela ficou off-line. Automaticamente pensei que havia me bloqueado. Tentei mandar umas mensagens pelo MSN mesmo, nada de responder. Resolvi esquecer. Menos de cinco minutos depois, seu namorado escreve um tweet pedindo para que parasse com brincadeiras idiotas. Ótimo, já tinha uma pista de que algo havia ocorrido. Fui checar.

Perguntei o que havia ocorrido. Ele respondeu que ela havia passado mal pelo susto, ido para o hospital, seus pais querendo minha cabeça e todo um resto que é desimportante, além de ela estar possessa contra o pobre ser humano que vos fala. “Eita! Perdi uma amizade”, pensei na hora. Os próximos dias foram todos tentando, sobre um ou outro aspecto tentando desfazer a besteira. Afinal, se ela morresse eu ficaria com a consciência muito pesada e toda uma série de baboseiras morais que, infelizmente, me acometem também.

Depois de alguns dias, estava eu na faculdade junto com uma roda de amigos e eles chegam, a garota em questão e o namorado (que estuda comigo). Os ânimos estavam já bem mais apaziguados (ótimo! São duas pessoas bem legais para eu simplesmente perder uma amizade), então começamos a conversar. Era a primeira vez que os tinha visto pessoalmente desde o incidente. Pedi, então, desculpas para ela. Ela foi absurdamente tranquila e começou a contar absolutamente tudo o que tinha acontecido aquele dia. Então, naquele momento, eu me dei conta que havia valido a pena ter mandado o link só pela narrativa que me foi feita.

Segundo ela, assim que ela recebeu o link ela começou a gritar de forma engasgada e abafada até conseguir força suficiente para conseguir soltar um grito decente para que os pais dela se atentassem para o que ocorria. Atentos a isso os pais dela saíram do quarto rapidamente para ver o que ocorria. Seu pai de cuecas e sua mãe inteiramente nua. Notadamente eles faziam algo.

Sua mãe entrou no quarto primeiramente. Ocorre, caro leitor, que a mãe de minha amiga sofre da mesma fobia (chamemos reganfobia) só que num estágio um pouco mais intenso, a ponto de precisar de terapia por anos. Então, a mãe de nossa heroína começou a gritar também.

Em seguida, entra o pai dela. Não! Este não possui reganfobia. Ao que entrou no quarto foi fazer a coisa mais óbvia que qualquer uma das mulheres não havia pensado por estarem apavoradas, tentar fechar o notebook para que ele fosse desligado, como normalmente acontece. Só que essa não era uma noite normal, o notebook não desligou.

Nossa amiga paralisada num canto não fez muito mais do que gritar. Os outros dois moradores da casa tentando resolver isso (ou sei lá o que). A mãe de nossa heroína, do jeito que veio ao mundo, foi para a rua, gritando, pedir por ajuda. Ao que um vizinho, muito solícito, abre seu portão e topa com ela naquele estado gritando. E o pai de nossa heroína logo atrás com o notebook na mão e a maldita da Regan ainda gritando.

Todos tentando algo até que o vizinho (ecce homo!) consegue, por fim, desligar o notebook. Para que, então, o pai da família leve as duas mulheres para o hospital para que fossem medicadas.

Nossa amiga termina a narração contando que, voltando do hospital, medicada e com a cara cheia de calmantes foi se deitar, sem conseguir dormir. Sua mãe também medicada, mas sem conseguir dormir, também. “Meu pai, ele deitou e dormiu tranquilo”, disse ela por fim. E eu, o miserável que foi responsável por uma das noites mais tensas da vida dessa família, disse rindo desenfreadamente: “sabe como tudo isso junto se chama? Azar”. Atualmente sou proibido de botar os pés naquela casa, por uma mera ameaça de morte.

4 comentários:

M.A.S.S. disse...

ÓH Chiyoko quanto maldade com a pobre coitada!
Queimarás no fogo no inferno eternamente.
AMÉM

Renata disse...

seeeeuuuu besta....eu disse pra vc parar de mandar essa porcaria de link horrível para as pessoas. Isso tbm me assustou...que espécie de amigo vc é??? eu penso todos os dias seriamente em te bloquear..vc e seus surtos de loucura.

Joyce Jambo :) disse...

Noh!
Eu até assustei com o link, mas dentro de quatro segundos já tinha até esquecido do que se tratava. Será que devo me sentir feliz por essa memória aérea?

Isso de certo modo mostra como as pessoas são afetadas de modos diferentes pelos mesmos estímulos. A mente é uma caverna, ora um labirinto, ora um trem fantasma...

wigvan disse...

Esse link da Regan nem me assustou tanto quanto ouvir do Chiyoko certo dia: "Wigvan, por que nós nunca transamos?" Isso sim me deu MUITO medo!
P.S.: A Joyce tá levando a sério esse negócio de ser filósofa, hein? Tá falando que nem o Adriano já. hehe