Olá à todos.
Me chamo Glauciene Soares serei sua oradora esta noite. Até aí nada de anormal, como quase tudo dentro da universidade. Era estudante de filosofia. “Era” porque hoje me formo. Serei considerada graduada em filosofia. Acabou a diversão. Não tenho mais o direito de agir como uma estudante a partir de agora.
Será que não?
Bem, é com esse ar de despedida que penso cada um dos meus momentos na faculdade, como quem vê algo pela última vez. Como quem viu algo que antes era apenas mato e barro se transformar num longo processo educacional.
Lembro hoje de meu primeiro dia na universidade. Ou melhor, meu primeiro dia na faculdade de filosofia. Não falarei nem do dia em que fiz minha inscrição e fui obrigada a pegar uma fila gigantesca para pagar a taxa de inscrição. Me refiro ao dia da minha primeira aula, uma aula com o professor Gonzalo. Confesso, um dos primeiros momentos engraçados que passei nesse campus.
Com seu sotaque equatoriano (não o confundam com um chileno, ele não gosta), ele se apresentou a nós. Com trejeitos engraçados e modos estranhos, apesar de sua vestimenta formal para um brasileiro. Meio brincalhão, meio sério. Nos falar que queria receber bem os calouros. E gostaria que todos se sentissem bem no curso de filosofia e chegassem ao final satisfeitos. Acho isso uma pequena ironia, visto que hoje nos formamos em três.
Lembro ainda hoje, a aula era de filosofia antiga. Sim, filosofia antiga. Nos apresentou um problema que os gregos possuíam. Não só os gregos, o problema perdura até hoje. Um problema que ainda não compreendo, não por inapetência do professor, mas pela minha. O problema entre o ser o não-ser que atormentava os gregos. Ou melhor, como seria possível que o não-ser fosse, sendo que é um contra-censo que ele seja alguma coisa.
O problema em si é muito complexo para explicar nos poucos minutos que disponho para lhes falar. Porém, acho que foi aquilo uma das coisas mais absurdas que tinha escutado até o momento. Não só absurda, como também óbvio que aquilo fosse inútil. Entretanto, com o passar do tempo, percebemos que nem tudo que está na filosofia é de alguma forma útil. Mas nunca é injustificado. E deve ser por esse lado que a filosofia marcou a grande maioria dos meus momentos. Por se tratar de justificações. Nem sempre aceitáveis, mas boas justificações.
Enquanto entrávamos “crus” na universidade, sem saber o que esperar, trombamos com coisas difíceis. Não sei se porque éramos calouros ou por ser difícil mesmo, porém continuamos. Conhecemos pessoas legais, pessoas que nos marcarão para o resto da vida, pessoas que preferimos esquecer. Os momentos são inúmeros. Assaltados por macacos sedentos por nossos lanches, almoços no R.U. (talvez a parte mais aterrorizante), aulas com professores que não nos respeitavam por não sermos doutores, etc, etc.
Mas, não foram apenas momentos ruins que fizeram minha graduação. Foram dias e dias bons, espero que tenha sido mais momentos bons do que ruins que eu tenha tido. Conheci pessoas legais: Fraga, Laislara, Marcela, Wigvan, Chiyoko (o Chiyoko merece menção honrosa), e uma infinidade de gente que não posso citar por falta de tempo.
Aprendi muito, nem sempre em sala de aula. Mas, aprendi bastante. Foram criadas expectativas, foram quebradas expectativas. Ainda hoje tenho pena dos calouros por acharem que vão entrar na faculdade de filosofia e começarem a filosofar ao léu sem ter qualquer tipo de noção teórica anterior. Pobres calouros.
Mas, algo me intriga. Hegel tentou dizer alguma coisa, ou queria apenas entrar para a história como o mais obscuro dos seres humanos. Penso que seja essa a questão filosófica fundamental.
Obrigada à todos e boa colação de grau para nós.
Me chamo Glauciene Soares serei sua oradora esta noite. Até aí nada de anormal, como quase tudo dentro da universidade. Era estudante de filosofia. “Era” porque hoje me formo. Serei considerada graduada em filosofia. Acabou a diversão. Não tenho mais o direito de agir como uma estudante a partir de agora.
Será que não?
Bem, é com esse ar de despedida que penso cada um dos meus momentos na faculdade, como quem vê algo pela última vez. Como quem viu algo que antes era apenas mato e barro se transformar num longo processo educacional.
Lembro hoje de meu primeiro dia na universidade. Ou melhor, meu primeiro dia na faculdade de filosofia. Não falarei nem do dia em que fiz minha inscrição e fui obrigada a pegar uma fila gigantesca para pagar a taxa de inscrição. Me refiro ao dia da minha primeira aula, uma aula com o professor Gonzalo. Confesso, um dos primeiros momentos engraçados que passei nesse campus.
Com seu sotaque equatoriano (não o confundam com um chileno, ele não gosta), ele se apresentou a nós. Com trejeitos engraçados e modos estranhos, apesar de sua vestimenta formal para um brasileiro. Meio brincalhão, meio sério. Nos falar que queria receber bem os calouros. E gostaria que todos se sentissem bem no curso de filosofia e chegassem ao final satisfeitos. Acho isso uma pequena ironia, visto que hoje nos formamos em três.
Lembro ainda hoje, a aula era de filosofia antiga. Sim, filosofia antiga. Nos apresentou um problema que os gregos possuíam. Não só os gregos, o problema perdura até hoje. Um problema que ainda não compreendo, não por inapetência do professor, mas pela minha. O problema entre o ser o não-ser que atormentava os gregos. Ou melhor, como seria possível que o não-ser fosse, sendo que é um contra-censo que ele seja alguma coisa.
O problema em si é muito complexo para explicar nos poucos minutos que disponho para lhes falar. Porém, acho que foi aquilo uma das coisas mais absurdas que tinha escutado até o momento. Não só absurda, como também óbvio que aquilo fosse inútil. Entretanto, com o passar do tempo, percebemos que nem tudo que está na filosofia é de alguma forma útil. Mas nunca é injustificado. E deve ser por esse lado que a filosofia marcou a grande maioria dos meus momentos. Por se tratar de justificações. Nem sempre aceitáveis, mas boas justificações.
Enquanto entrávamos “crus” na universidade, sem saber o que esperar, trombamos com coisas difíceis. Não sei se porque éramos calouros ou por ser difícil mesmo, porém continuamos. Conhecemos pessoas legais, pessoas que nos marcarão para o resto da vida, pessoas que preferimos esquecer. Os momentos são inúmeros. Assaltados por macacos sedentos por nossos lanches, almoços no R.U. (talvez a parte mais aterrorizante), aulas com professores que não nos respeitavam por não sermos doutores, etc, etc.
Mas, não foram apenas momentos ruins que fizeram minha graduação. Foram dias e dias bons, espero que tenha sido mais momentos bons do que ruins que eu tenha tido. Conheci pessoas legais: Fraga, Laislara, Marcela, Wigvan, Chiyoko (o Chiyoko merece menção honrosa), e uma infinidade de gente que não posso citar por falta de tempo.
Aprendi muito, nem sempre em sala de aula. Mas, aprendi bastante. Foram criadas expectativas, foram quebradas expectativas. Ainda hoje tenho pena dos calouros por acharem que vão entrar na faculdade de filosofia e começarem a filosofar ao léu sem ter qualquer tipo de noção teórica anterior. Pobres calouros.
Mas, algo me intriga. Hegel tentou dizer alguma coisa, ou queria apenas entrar para a história como o mais obscuro dos seres humanos. Penso que seja essa a questão filosófica fundamental.
Obrigada à todos e boa colação de grau para nós.
3 comentários:
Mas que belo dircurso, ainda que tenha uma presença Chiyokana maior que Glauciana e de "tacha" ser na verdade "taxa".
Não vejo a hora de poder escutar o discurso da minha graduação, temo que nem 3 cheguem lá >.<
Abç
Maria Angélica,
Obrigado pela correção.^^
E obrigado pelos elogios.
sem essa base eu nao teria conseguido escrever a versão final do discurso e provavelmente teria passado a maior vergonha nos meus colegas e convidados.
sempre se pode contar com o senhor chiyoko para um texto bem humorado.
Muito Obrigada, uma pena vc nao ter ido me ver passar a maior vergonha da minha vida. XD
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